26 de setembro de 2026 · 6 min de leitura
Ruptura de estoque: como calcular e por que o sistema diz que tem produto
Ruptura é a venda que não aconteceu porque o produto não estava disponível. É o indicador mais difícil de medir no varejo, porque a venda perdida não deixa registro em lugar nenhum.
A dificuldade central
Todo indicador de varejo se apoia em algo que aconteceu: a venda, a compra, a devolução. Ruptura é o contrário — ela mede o que deixou de acontecer. O cliente que não encontrou o produto e foi embora não gera linha nenhuma no ERP. Por isso a ruptura sempre é uma estimativa, e por isso a regra de cálculo precisa estar acordada antes de virar número no painel.
As duas formas de medir
A mais simples é a ruptura por presença: entre os itens que deveriam estar disponíveis para venda, quantos estão com saldo zero ou abaixo do mínimo. O cálculo é direto:
% Ruptura = Itens com saldo zero ÷ Itens ativos do sortimentoA segunda é a ruptura por venda esperada, que estima quanto deixou de ser vendido comparando a média de saída do item com o que efetivamente saiu nos dias em que ele esteve indisponível. Dá um valor em reais, que conversa melhor com a diretoria, mas depende de uma média confiável — item de giro irregular gera estimativa ruim.
Por que o sistema diz que tem e a gôndola está vazia
- Produto no depósito, não reposto na gôndola — o saldo é real, a disponibilidade não.
- Perda não registrada: quebra, validade vencida, furto.
- Divergência de cadastro, quando o mesmo produto tem mais de um código.
- Entrada lançada antes da conferência física.
- Devolução registrada e nunca reintegrada ao estoque.
Um painel de ruptura que só olha o saldo do ERP não enxerga nada disso. Por isso o indicador precisa ser cruzado com a venda: item com saldo positivo e zero saída há vários dias em uma operação de giro alto é forte candidato a estoque fantasma — e vale mais que qualquer relatório de inventário mensal.
O que acompanhar junto
- Cobertura de estoque: por quantos dias o saldo atual sustenta a venda média. É o indicador que antecipa a ruptura.
- Curva ABC: ruptura em item A custa muito mais que em item C, e os dois não podem ter a mesma prioridade.
- Prazo de reposição por fornecedor, que define com quanta antecedência o pedido precisa sair.
- Ruptura por loja e por categoria, porque a média da rede esconde o ponto com problema.
De onde vem o dado
Todos esses números já estão no ERP. Em WinThor, o saldo está em PCEST e a venda em PCPEDC e PCPEDI. Em Protheus, o estoque está em SB2 e as saídas em SD2. Em RM, o movimento está em TMOV e TITMMOV. O trabalho não é coletar — é definir a regra, cruzar as fontes e deixar o resultado atualizando sozinho, em vez de depender de alguém montar planilha toda segunda-feira.
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