26 de setembro de 2026 · 6 min de leitura

Curva ABC no Power BI: como montar com o dado do seu ERP

Curva ABC em planilha envelhece no dia seguinte. Feita no Power BI sobre o dado do ERP, ela se recalcula a cada atualização — desde que a classificação seja dinâmica e não uma coluna fixa.

O que a curva ABC responde

A curva ABC ordena itens pela contribuição ao resultado e separa em três faixas: A, os poucos que respondem pela maior parte; B, os intermediários; C, a cauda longa que ocupa espaço e traz pouco. Serve para produto, mas também para cliente, representante e fornecedor.

A divisão mais usada é 80% para a faixa A, 15% para a B e 5% para a C, sobre o valor acumulado. Não é regra fixa: operação com mix pequeno costuma trabalhar melhor com cortes diferentes. O que não muda é o princípio — classificar pela participação acumulada, não pelo valor isolado.

Por faturamento ou por margem?

O cálculo em DAX

A classificação precisa ser medida, não coluna calculada. Se for coluna, ela congela no momento da carga e para de responder aos filtros — o usuário troca o período no painel e continua vendo a classificação do ano inteiro.

A sequência é sempre a mesma. Primeiro, o valor do item no contexto atual. Depois, o acumulado dos itens com valor maior ou igual ao dele. Em seguida, a razão entre esse acumulado e o total geral. Por fim, a faixa, comparando esse percentual com os cortes definidos:

Valor = SUM( Vendas[ValorLiquido] )

Acumulado =
VAR Atual = [Valor]
RETURN
    SUMX(
        FILTER( ALLSELECTED( Produtos[Produto] ), [Valor] >= Atual ),
        [Valor]
    )

% Acumulado = DIVIDE( [Acumulado], CALCULATE( [Valor], ALLSELECTED( Produtos[Produto] ) ) )

Faixa ABC =
SWITCH( TRUE(),
    [% Acumulado] <= 0.80, "A",
    [% Acumulado] <= 0.95, "B",
    "C"
)

O `ALLSELECTED` é o detalhe que faz a medida respeitar os filtros do painel — período, filial, categoria — sem se limitar à linha que está sendo avaliada. Trocar por `ALL` faz a curva ignorar o que o usuário selecionou; trocar por nada faz o acumulado colapsar no próprio valor da linha.

Os erros que distorcem a classificação

  • Incluir devolução como venda. Produto com muita devolução sobe de faixa indevidamente.
  • Misturar filiais numa operação em que cada loja tem mix diferente. A curva consolidada esconde o que importa em cada ponto.
  • Período curto demais. Um mês isolado coloca sazonal na faixa A. Doze meses móveis dão leitura mais estável.
  • Classificar itens sem venda. Produto zerado precisa aparecer numa lista própria, não no fim da curva.

Como a curva vira decisão

A curva só tem valor quando muda uma ação concreta. Item A não pode faltar na gôndola: é ele que define prioridade de compra e de reposição. Item C em excesso é capital parado, e a conversa passa a ser liquidação ou corte de mix. Cliente A merece política de atendimento própria. Sem essa ligação com a operação, a curva vira mais um gráfico bonito que ninguém abre duas vezes.

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